A água é, ao mesmo tempo, o recurso mais essencial e o mais vulnerável a contaminações. Para garantir que ela seja segura para consumo humano e para os mais variados processos industriais, existe um conjunto de análises padronizadas que verificam suas características físicas, químicas e microbiológicas.
Por que analisar a água?
Águas contaminadas podem transmitir mais de 100 doenças diferentes — entre elas hepatite, cólera, febre tifoide, giardíase e amebíase. Em ambientes industriais, a água também é determinante para a qualidade do produto final: indústrias farmacêuticas, alimentícias, de bebidas e de cosméticos têm exigências específicas para cada etapa do processo.
A análise periódica permite identificar precocemente qualquer alteração e tomar medidas corretivas antes que o problema cause danos à saúde ou à produção.
Como é feita a coleta?
A coleta é um momento crítico. Realizada de forma incorreta, ela pode invalidar todo o resultado. Os principais cuidados são:
- Recipientes adequados: frascos estéreis para análise microbiológica, frascos âmbar ou específicos para físico-química;
- Pontos representativos: reservatórios, pontos de uso, cavalete de entrada — escolhidos conforme o objetivo;
- Identificação: data, hora, local exato, responsável pela coleta e condições do ponto;
- Conservação: refrigeração imediata e envio ao laboratório em tempo hábil;
- Equipe treinada: a coleta deve ser feita por técnico capacitado e seguir POPs validados.
Parâmetros físico-químicos
Verificam as características físicas e a composição química da água:
- pH: entre 6,0 e 9,0 para água potável;
- Cor aparente: máximo 15 uH;
- Turbidez: máximo 5 uT;
- Cloro residual livre: entre 0,2 e 5,0 mg/L;
- Flúor: conforme legislação estadual;
- Dureza, condutividade, sólidos totais dissolvidos;
- Metais pesados: alumínio, arsênio, chumbo, cádmio, mercúrio, entre outros.
Parâmetros microbiológicos
Indicam a presença ou ausência de microrganismos patogênicos e indicadores de contaminação:
- Coliformes totais: ausência em 100 mL;
- Escherichia coli: ausência em 100 mL (indicador de contaminação fecal);
- Contagem de bactérias heterotróficas: máximo 500 UFC/mL;
- Pesquisa de Pseudomonas, Legionella e outros microrganismos específicos conforme aplicação.
Frequência de análise
Para sistemas de abastecimento privados (poços, caminhões-pipa, reservatórios próprios), a frequência mínima é mensal para parâmetros básicos. Para indústrias farmacêuticas e alimentícias, a periodicidade pode ser diária em pontos críticos. O importante é estabelecer um plano de monitoramento ajustado ao risco.
O laudo técnico
Concluída a análise, o laboratório emite um laudo técnico que apresenta os resultados de cada parâmetro, os limites legais ou de referência, e a conclusão sobre a conformidade. Esse documento é exigido em fiscalizações da vigilância sanitária e pode ser usado como evidência em processos administrativos ou judiciais.



