Como funciona a análise microbiológica de cosméticos

Conheça os ensaios microbiológicos exigidos para o registro e o controle de qualidade de cosméticos no Brasil conforme a RDC 752/2022.

Coleta e análise laboratorial de água

Cremes, loções, xampus, maquiagens e perfumes têm uma característica em comum: são produtos que entram em contato direto com a pele, mucosas e, em alguns casos, áreas sensíveis como olhos e cavidade oral. Por isso, o controle microbiológico é determinante para a segurança do consumidor.

Por que controlar microbiologicamente cosméticos?

Produtos cosméticos não são estéreis, mas devem apresentar carga microbiana baixa e livre de patógenos específicos. Uma contaminação acima dos limites pode causar:

  • Reações cutâneas e irritações;
  • Infecções oculares (especialmente em produtos para área dos olhos);
  • Alterações sensoriais que comprometem a qualidade percebida;
  • Riscos amplificados em consumidores imunocomprometidos.

Por isso, a ANVISA — por meio da RDC 752/2022 — estabelece padrões microbiológicos obrigatórios para todas as categorias de cosméticos.

Categorias e limites

A RDC 752 divide os cosméticos em duas categorias, com limites distintos:

Categoria 1 — Produtos para área dos olhos, mucosas e crianças menores de 3 anos

  • Contagem total de microrganismos: máximo 100 UFC/g ou mL;
  • Pesquisa específica: ausência de S. aureus, P. aeruginosa, C. albicans e E. coli em 1 g ou 1 mL.

Categoria 2 — Demais cosméticos

  • Contagem total de microrganismos: máximo 1.000 UFC/g ou mL;
  • Pesquisa específica: ausência dos mesmos quatro microrganismos em 1 g ou 1 mL.

Como é feita a análise?

A análise microbiológica envolve duas linhas principais de ensaio:

Contagem de microrganismos viáveis

Determina a quantidade total de microrganismos presentes na amostra. O produto é diluído em um meio de cultura apropriado, plaqueado e incubado por 5 dias. Após o período, conta-se o número de colônias formadas e expressa-se o resultado em UFC/g ou UFC/mL.

Pesquisa de patógenos específicos

Para cada microrganismo da lista, há um protocolo específico de enriquecimento, isolamento e identificação. A presença de qualquer um deles configura não conformidade e impede a liberação do lote para consumo.

Validação do método e neutralização de conservantes

Cosméticos têm conservantes na formulação — e esses conservantes podem inibir o crescimento microbiano também no ensaio laboratorial, mascarando o resultado. Por isso, é obrigatório validar a neutralização do produto antes de cada análise. Sem essa validação, os resultados não têm valor analítico.

Frequência de análise

A análise microbiológica é exigida em pelo menos três situações:

  • Registro do produto: compõe o dossiê técnico de notificação ou registro na ANVISA;
  • Liberação de lote: cada lote produzido deve ser analisado antes da expedição;
  • Estudos de estabilidade: ao longo do estudo, em pontos pré-definidos.

O laudo microbiológico

O laudo apresenta a contagem total, o resultado da pesquisa de cada patógeno e a conclusão sobre a conformidade. Para registro e liberação de lote, o laudo deve vir de laboratório acreditado ISO/IEC 17025.

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