Challenge Test para fármacos e cosméticos: o que é e como funciona

O teste de eficácia do sistema conservante é determinante para a segurança microbiológica de cosméticos e medicamentos. Veja como ele é conduzido.

Análise laboratorial por cromatografia HPLC

Quando um consumidor abre um frasco de creme hidratante ou utiliza um colírio pela primeira vez, ele está confiando que o sistema conservante daquele produto é capaz de impedir a proliferação de microrganismos durante toda a sua vida útil. Quem garante isso, do ponto de vista técnico, é o Challenge Test.

O que é o Challenge Test?

O Challenge Test — também conhecido como Teste de Desafio Microbiano ou Teste de Eficácia do Sistema Conservante (TESC) — é um ensaio laboratorial que avalia se a formulação de um produto consegue inibir o crescimento microbiano após ser intencionalmente contaminada com microrganismos padronizados.

É um teste obrigatório para registro de cosméticos e medicamentos não estéreis. Ele integra o dossiê técnico de produto e é exigido por agências regulatórias em todo o mundo.

Quais normas se aplicam?

Os principais protocolos utilizados são:

  • USP <51>: Antimicrobial Effectiveness Testing — protocolo americano para medicamentos;
  • ISO 11930: protocolo internacional específico para cosméticos;
  • Farmacopeia Brasileira: capítulo geral para produtos não estéreis;
  • Farmacopeia Europeia (EP 5.1.3): protocolo equivalente à USP 51.

Quais microrganismos são utilizados?

O painel de cepas representa contaminantes comumente encontrados em produtos cosméticos e farmacêuticos. As cepas padronizadas são:

  • Staphylococcus aureus ATCC 6538 — bactéria gram-positiva, indicador de contaminação por contato;
  • Pseudomonas aeruginosa ATCC 9027 — bactéria gram-negativa, resistente em ambientes úmidos;
  • Escherichia coli ATCC 8739 — indicador de contaminação fecal;
  • Candida albicans ATCC 10231 — levedura comum em mucosas;
  • Aspergillus brasiliensis ATCC 16404 — fungo filamentoso.

Como o teste é conduzido?

O protocolo é rigoroso e segue etapas bem definidas:

  1. Inoculação: uma quantidade conhecida de cada microrganismo é introduzida no produto (geralmente entre 10⁵ e 10⁶ UFC/mL);
  2. Homogeneização: o produto é misturado para distribuir uniformemente os microrganismos;
  3. Incubação: as amostras são mantidas em temperatura controlada (20-25°C) durante 28 dias;
  4. Contagens: em pontos pré-definidos (0, 7, 14, 28 dias), retira-se uma alíquota e faz-se a contagem dos microrganismos sobreviventes;
  5. Análise: compara-se a redução logarítmica obtida com os critérios de aceitação da norma escolhida.

Critérios de aceitação

Cada norma estabelece critérios próprios. A ISO 11930, por exemplo, classifica o produto em dois critérios (A e B):

  • Critério A: redução de pelo menos 3 log para bactérias em 7 dias e ausência de crescimento em 28 dias;
  • Critério B: mais flexível, exigindo redução de 3 log em 14 dias para bactérias e 1 log para fungos em 14 dias.

Produtos que não atendem aos critérios precisam ter sua formulação revisada — geralmente ajustando concentração ou tipo de conservante.

Por que terceirizar o teste?

O Challenge Test exige câmaras climáticas calibradas, manipulação asséptica, cepas padronizadas mantidas em condições específicas e equipe treinada em manipulação microbiológica. Realizar internamente exige investimento expressivo em infraestrutura e validação. Para a maioria dos fabricantes, contratar um laboratório acreditado é mais eficiente em custo, prazo e confiabilidade.

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